| Improvisando... |
| Escrito por Mariana Lolato |
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No entanto, pouco se ensina sobre como improvisar. O máximo que se costuma sugerir é: “Coloque uma música árabe e vá fazendo os passos que você conhece no ritmo da música!”.
Mas isso é insuficiente para conseguir realizar atividade tão complexa. E foi pensando em discutir algumas questões relacionadas ao improviso na Dança do Ventre, que surgiu a idéia deste artigo.
Improvisar é uma atividade complexa, na qual não basta colocar a música e sugerir que se dance ao seu sabor, às suas nuances. Quando se tenta desta maneira quase sempre não se consegue, correndo-se ainda o risco da bailarina se desentusiasmar por acreditar que não é capaz de improvisar.
Geralmente as maiores dificuldades citadas ao se tentar o improviso se referem:
-ao esquecimento de vários movimentos conhecidos; -à dificuldade no acompanhamento das mudanças de ritmo e melodia da música; -à preocupação demasiada com quais movimentos realizar; -à falta de prazer e naturalidade ao dançar; -à dificuldade de ouvir a música, de percebê-la, de senti-la, geralmente como conseqüência da preocupação excessiva com os movimentos a serem feitos.
Para ajudar a superar tais dificuldades e tornar o improviso algo mais fácil, mais prazeroso e mais bonito, aqui vão algumas dicas:
1º) Primeiramente só ouvir a música. O objetivo é entrar em contato com a música e perceber o que ela diz. Perceber o que você sente quando ouve a música. Quais partes são alegres? Quais são mais tristes? Tentar não colocar o lado racional neste momento, como por exemplo, analisar a música, pensar em quais passos ficariam melhor, etc.
2º) Se movimentar conforme ouve a música, mas sem se preocupar previamente em qual passo “deveria” colocar, qual seria o melhor e mais bonito passo de dança para se fazer, etc. Quase como uma expressão corporal, na qual o corpo segue a música espontaneamente, sem necessariamente passos de Dança do Ventre. Assim, o corpo age conforme o que ele está sentindo, de acordo com o que a música o faz sentir.
3º) Fazendo essa prática regularmente, naturalmente o próprio corpo vai inserindo nesse repertório de movimentos espontâneos, os movimentos típicos de dança do ventre. Porque uma vez que este repertório já estava arquivado no conhecimento corporal da pessoa, ele surgirá como uma conseqüência natural da prática, do deixar fluir os movimentos enquanto se ouve a música.
Mas cabe lembrar que, só depois que o corpo automatizou os movimentos (passos) da Dança do Ventre, é que ele estará apto a fluir espontaneamente em um improviso. É como se primeiramente os passos tivessem que estar registrados, para poderem se expressar sem programar.
Para isso, a bailarina precisa conhecer no mínimo um certo número de movimentos da Dança do Ventre, além de treiná-los bastante. Com o treino constante, eles vão sendo internalizados, automatizados. Então seu corpo vai se acostumando a esses passos, até que se tornam naturais e espontâneos.
Para treinar os movimentos há varias formas:
-fazer aulas; -fazer workshops; -treinar assistindo vídeos e DVDs; -treinar passos isoladamente; -treinar seqüências; -montar seqüências; -treinar coreografias; -criar coreografias.
Em qualquer uma destas maneiras o corpo está treinando o aprimoramento e a memorização dos movimentos da Dança do Ventre. E o ideal é que se treine de todas essas formas.
E como diz Jorge Sabongi (proprietário da Casa de Chá Khan el Khalili): “Quando você improvisa na dança uma ou outra vez, sempre dá aquele friozinho na barriga. Quando você faz isso sempre, acaba causando uma metamorfose em sua dança e em você própria. É como um vírus que fica cada vez mais forte!”.
Por Mariana Lolato e Renata Lolato Pereira
Publicado também em www.centraldancadoventre.com.br
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